Entrevista com Yasmin, primeira aluna da FACISB aprovada para realizar o programa MD/PhD

Yasmin Medeiros Guimarães, é a primeira aluna da Faculdade de Ciências da Saúde de Barretos Dr. Paulo Prata (FACISB) aprovada para realizar o programa MD/PhD, financiado em parceria com o Hospital de Amor.

O programa MD/PhD tem como objetivo integrar a pesquisa básica, translacional e clínica na formação acadêmica do médico, de modo a formar um profissional altamente motivado tanto para a prática médica quanto para a pesquisa científica. Busca, além disso, reduzir o tempo de formação do médico- pesquisador.

Na visão da Yasmin, os principais benefícios do programa MD/PhD são a redução do tempo total para se tornar médico-pesquisador e a experiência de passar por um programa de doutorado, que estimula muito o amadurecimento no âmbito profissional e pessoal.

 

Yasmin conta que conheceu o programa MD/PhD no fim de seu quarto ano do curso de Medicina, em novembro de 2019, quando a abertura da vaga oferecida pela FACISB em parceria com o Hospital de Amor foi divulgada. "Devido ao interesse em participar do programa divulgado pela FACISB, descobri que esse tipo de programa já existe há alguns anos em outras poucas instituições no Brasil, também com os nomes de "programa pesquisador em medicina" ou "programa médico-doutor", explicou.

 

Ao decorrer da entrevista, ela mencionou suas expectativas futuras de crescimento profissional. "Após o doutorado e o término do curso de Medicina acredito que terei desenvolvido habilidades que somente a graduação não poderia oferecer. Espero que isso seja um diferencial no futuro, abrindo portas para eu seguir uma carreira clínica e acadêmica", disse Yasmin.


O interesse em ser pesquisadora sempre foi um sonho para ela, onde foi realizado em seu terceiro ano do curso de medicina, como bolsista FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo). "Quando ingressei na faculdade, já tinha interesse em pesquisa científica. Ser pesquisadora era um sonho desde a infância e vi na Medicina a oportunidade de realizar esse sonho, mas também muitos outros, como o cuidado mais direto com as pessoas. Dessa forma, desde o primeiro ano fiquei atenta a oportunidades de iniciação científica em áreas que me fossem atraentes. No início do terceiro ano iniciei minhas atividades de iniciação científica como bolsista FAPESP no Hospital de Amor de Barretos", conta Yasmin.

Abaixo, os principais trechos da entrevista:


Qual a linha de pesquisa que você está trabalhando e qual o tema do seu projeto?

A linha de pesquisa em que estou trabalhando é de epidemiologia e prevenção em câncer, a mesma em que trabalhei na iniciação científica. Mais especificamente, o trabalho é na área de epidemiologia e prevenção em câncer do colo do útero, logo, englobando estudos sobre o HPV (Papilomavírus humano). Meu projeto tem como tema a análise da ancestralidade genética e sua correlação com dados clínico-patológicos e de genotipagem de HPV em mulheres sub-rastreadas ou nunca rastreadas para o câncer do colo do útero. Escolhi esse tema pois acredito que a prevenção é o melhor caminho na área da saúde, e poder de alguma forma contribuir com isso me deixa muito satisfeita e feliz. Além disso, são temas que gosto muito de estudar. Meu orientador é o Dr. Adhemar Longatto Filho, pesquisador que admiro muito e que possui vasta experiência na área de câncer do colo do útero e HPV.

Quais as diferenças entre a rotina do estudante de Medicina e doutorando?

Na minha percepção, no doutorado temos mais independência do que na faculdade, o que exige também mais disciplina e organização. Acredito também que a busca por conteúdos e aprendizado costuma ser mais solitária, embora existam os momentos de compartilhamento, que são muito enriquecedores. Sem dúvidas é um ambiente que demanda muita proatividade, condição em que, fico feliz em dizer, a FACISB me formou bem, pois desde o primeiro ano incentiva isso nos alunos, muito em razão de sua metodologia ativa de ensino.

Qual sua opinião em relação ao tempo que levará para formar como médica-pesquisadora?

A faculdade de medicina tem duração de 6 anos, no entanto, devido ao programa, me formarei médica-pesquisadora em 9 anos. Creio que à primeira vista 9 anos de formação seja assustador por parecer tempo demais, mas percorrendo o caminho tradicional o tempo para a formação de um médico-pesquisador seria de 12 anos (6 de faculdade, 2 de mestrado e 4 de doutorado), excluindo ainda um possível tempo de residência após a faculdade, que no geral os estudantes buscam. Assim sendo, acredito que adiar um pouco a graduação não seja um problema, pois atingirei a formação que desejo em menos tempo no total.

Por que recomendaria o programa MD/PhD?

Eu recomendaria o programa aos alunos de Medicina que também têm grande apreço pela pesquisa e almejam trabalhar nessa área no futuro ou levar a seus pacientes o que há de melhor nas pesquisas mais recentes, pois acredito que para esses o MD/PhD é uma oportunidade única, visto que poucas instituições no Brasil oferecem esse tipo de programa. Além disso, poder viver essa experiência em um local de excelência e prestígio na área da pesquisa científica, que é o Hospital de Amor, qualifica ainda mais a formação. Acredito que, após a formação, ter o título de doutorado seja um diferencial para alcançar diversos objetivos, como residência, inserção no mercado de trabalho e oportunidades de pesquisar fora do país. Para além desses objetivos, reitero que para mim o mais importante seria estar apto a levar o melhor que a ciência tem descoberto ao contato direto com os paciente.

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