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Em entrevista, profª. da FACISB alerta para casos de Hanseníase e importância do tratamento

05/02/2018
Em entrevista, profª. da FACISB alerta para casos de Hanseníase e importância do tratamento

A dermatologista Cristiane Botelho Cárcano (CRM 137.123) informou que foram diagnosticados quatro novos casos de Hanseníase somente no mês de janeiro em Barretos. A médica, que atua na Fundação São Sebastião, demonstrou preocupação com este número, pois durante todo o ano passado foram cinco casos de pacientes de Barretos e outros 11 em 2016. O serviço especializado realizou a campanha “Janeiro Roxo”, que alerta sobre a doença. “Os pacientes chegam à Fundação São Sebastião por encaminhamento médico ou por demanda espontânea”, explicou. A médica ressaltou a necessidade dos pacientes diagnosticados seguirem o tratamento recomendado, inclusive para evitar o contágio de pessoas próximas, principalmente familiares. “A Hanseníase é um problema de saúde pública no Brasil”, disse a especialista da Fundação São Sebastião, que atende também pacientes de cidades da região. A seguir, os principais trechos da entrevista.

O Diário: Qual objetivo da campanha “Janeiro Roxo”?
Dra. Cristiane: O objetivo é a conscientização sobre a Hanseníase, que ainda é um problema de saúde pública em nosso país. Então, o objetivo é chamar a atenção e incentivar a luta e o combate dessa doença.

O Diário: O que causa a Hanseníase?
Dra. Cristiane: A Hanseníase é causada por uma bactéria que acomete principalmente a pele e os nervos periféricos, podendo acometer também outros órgãos em pessoas que estão doentes há muito tempo e acabam transmitindo para outras pessoas. Então é uma doença que passa de pessoa para pessoa provocada por uma bactéria.

O Diário: Como se contrai a doença?
Dra. Cristiane: A pessoa contrai a Hanseníase através das vias aéreas superiores, então através da tosse, da fala, do escarro. Esta bactéria acaba ficando no ar e é transmitida para outras pessoas através das vias aéreas.

O Diário: Como reconhecer a Hanseníase?
Dra. Cristiane: Normalmente a doença é reconhecida através das manchas de pele, que costumam ser o primeiro sintoma. O paciente precisa ficar atento ao seu corpo, à pele, ao aparecimento de manchas esbranquiçadas, avermelhadas ou caroços pelo corpo, principalmente se houver alteração da sensibilidade superficial da pele. Em relação aos nervos periféricos é preciso ficar atento a alterações como queimação, câimbras em excesso e formigamento em determinadas áreas do corpo.

O Diário: A Hanseníase pode deixar sequelas se não for tratada?
Dra. Cristiane: Sim, é uma doença que, por acometer os nervos, pode provocar incapacidade física, principalmente naqueles casos avançados, de muito tempo da doença sem diagnóstico. O paciente pode ir perdendo a sensibilidade das mãos, dos pés, os olhos também podem ser afetados dessa mesma forma. E até evoluir com dificuldade de andar, de segurar objetos e diminuição da força. As áreas afetadas pela doença, como perdem a sensibilidade superficial, podem ficar permanentemente alteradas e mesmo com o tratamento, a gente não consegue reverter estas sequelas.

O Diário: A doença tem cura? Como é o tratamento?
Dra. Cristiane: Sim, a Hanseníase tem cura e é bom que isso fique bem claro para a população, porque há uma desinformação muito grande. O tratamento é gratuito e fornecido nas unidades básicas de saúde do SUS. É um tratamento que vai variar de seis meses a um ano, dependendo da classificação clínica, pois é uma doença que tem uma apresentação clínica muito diversificada.

O Diário: Como prevenir a Hanseníase?
Dra. Cristiane: O primeiro passo é tratar os pacientes com a doença, porque quem está doente está transmitindo a Hanseníase. As pessoas que tem mais possibilidades de adoecerem são os familiares do doente. A Hanseníase é transmitida pelo contato direto, então os familiares precisam estar atentos. Todos os familiares devem vir à unidade, todos são contatados quando fazemos um diagnóstico e são examinados para verificar se há alguma alteração clínica para que ele tenha Hanseníase. Se ele não tem nada fazemos uma vacina, que é a BCG, usada para Tuberculose. Normalmente a vacina é feita no braço direito e muitas pessoas têm a cicatriz. Quando queremos prevenir a Hanseníase, fazemos uma segunda dose da BCG, então se consegue prevenir ou diminuir o aparecimento da doença nesta população. O ponto principal da prevenção primeiro é o próprio paciente doente ter o diagnóstico precoce para evitar a incapacidade física que a Hanseníase pode provocar e evitar de ele transmitir a doença. O segundo é os familiares e os contatos mais próximos desses casos que venham à unidade, façam uma avaliação médica e podemos prescrever a vacina como uma profilaxia também.

Fonte: Jornal O Diário Online